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dimecres, 22 d’octubre de 2014

—Quem é, Thereza? quem é, Thereza? Não ouves passos, que vão pela serra Não ouves gritos, quem é, Thereza? —É D. Sebastião que vae para a guerra ....Ha quantos annos vós estaes fechados N'estas muralhas de granito e cal! Ah se soubesseis, Frades corcovados! O que vae lá por fóra, em Portugal! NA VOSSA JUSTIÇA NÃO ENTRA PIÇA NA LIÇA ? VENÉREA NO TÍTULO DESSE CAPÍTULO ?O os meus dias idos em contemplação! O os meus loucos sonhos que d'ahi eu trouxe! Fallava eu ás flôres, como se ella fosse: «Maria» eu lhes chamava, cego de paixão. Hei-de gravar-te em bronze e tornar-te immortal! Eu hei-de lançar o teu nome aos quatro ventos! Eu, o humilde Snr. Manoel dos Soffrimentos, Eu, por graça de Deus, poeta de Portugal. DO MESSIANISMO BACOCO AO MUITO MUITO LOUCO ...Lisboa á beira-mar, cheia de vistas, Ó Lisboa das meigas Procissões! Ó Lisboa de Irmãs e de fadistas! Ó Lisboa dos lyricos pregões... Lisboa com o Tejo das Conquistas, Mais os ossos provaveis de Camões! Ó Lisboa de marmore, Lisboa! Quem nunca te viu, não viu coisa boa... II És tu a mesma de que falla a Historia? Eu quero ver-te, aonde é que estás.....Ó JUSTIÇA SEM PIÇA ENROLADA NA TRELIÇA COM PELIÇA....COPULA COM COGULA OU SIMPLESMENTE CAPITULA NO ÓLEO FULA? Procura bem Anrique em Portugal; Procura-o na flôr das primaveras, Procura-o na sombra do olival; Procura á luz de todas as chymeras.E MESMO NAS QUIMERAS MAIS BERAS ...NA TRELIÇA DA JUSTIÇA A PIÇA COM PELIÇA COPULA MAS NÃO TRIPULA A COBIÇA ....nessa liça —Quem é, Thereza? quem é, Thereza? Quem é, Thereza, que bate á porta? —Olhe a Fortuna não é com certeza, Por isso... durma, durma, que lhe importa? (O vento uiva, uiva). —Não ouves, Thereza, tres pancadinhas? Vae vêr: é a D. Felicidade. —Mas as senhoras não sahem sósinhas N'uma aldeia, nem mesmo na cidade... Durma menino, a dormir Não soffre tanta paixão, Os sonhos que lhe hão de vir Afasto-os eu, com a mão. Durma menino, a dormir Não ouve o seu coração, E p'ra o ajudar a dormir Eu canto-lhe uma canção: Era uma vez, n'um paço sobre o Tejo, Um moço Rey... de lindos olhos verdes; (Senhor! se a luz dos vossos, perderdes, Tereis os d'elle que sempre abertos vejo.) Andava o moço Rey com seu gibão De prata branca, reluzente d'oiros. Tinha em anneis os seus cabellos loiros, No céu era anjo e cá... Sebastião. (O vento geme, geme sempre).

Uma lembrança dentro em mim se enraiza.
—Dou-te, bom velho! tudo que quizeres,
Se em troca me dás vestes e camiza.

O velhinho sorriu como as mulheres.
A quinzena me deu, e eu dei-lhe a minha,
Que na botoeira tinha malmequeres...

Ninguem a essa hora pela estrada vinha.
Tudo despiu, me deu: fiquei perfeito.
E eu dei-lhe em troca tudo quanto tinha.

Mas não estava ainda satisfeito,
As suas barbas brancas eu queria,
Comprar-lh'as era falta de respeito!

Comprar-lh'as nunca eu me atreveria!
Mas o bom velho o pensamento ouviu,
Que aquelle olhar excepcional ouvia.

Ó grandes barbas! que ainda ninguem viu!
Ó grandes barbas! como eram bellas!
Tal como outrora as de D. João, em Diu!

—Não lh'as vendo, Senhor! mas dou-lh'as, quel-as?
Ó povo portuguez! quanto és sympathico!
Ó povo portuguez das caravellas!
[116]

Cortou-as. Deu-m'as. Eu fiquei extactico.
Beijei-lhe as mãos curvado... E o bom velhinho
Lá se foi, a scismar... tossindo... asthmatico...

O sol cahia ao longe no caminho!
Não tarda a noite, já lhe sinto os passos,
Mas ha tempo: ella anda devagarinho.

Enfarpellei sem grandes embaraços;
A toillete tem poucos elementos,
Muitos remendos sim, rotos os braços...

Perdia-se o velho, ao longe, em passos lentos;
«Que nome tens, amigo?» lhe gritei.
«Manoel». E digo eu, «dos Soffrimentos».

Cahia a noite: com pressa caminhava.
Segui os passos deixados por Maria
Que flôres na mão, andando, desfolhava.

Não era aviso que assim daria?
O meu olhar teria percebido?
Que luz d'esperança a minha alma via!

Entrei no pateo, Senhores! Mas que atrevido
Irão achar o pobre esfarrapado!
Um mendigo velho... e tão mal vestido!
[117]

Pedi esmola e parei sobresaltado.
Emquanto alguns me enchiam a saccola
Um olhar lindo em mim era fixado.

E que olhar p'ra mim! tanta doçura evola!
Senhores, eu não me tinha enganado...
(Assim julguei então... a Vida foi-me escola!...)

Ella passou, de manso, para o meu lado
E murmurou o meu nome, assim, baixinho...
Disse-me depois que o houvera sonhado!



Tens razão, Anrique; mas no emtanto,
Quem soffreu como tu sem descançar,
Anrique, ou dá n'um cynico, ou n'um santo:
Não és cynico, não, sabes chorar.

Ouve-me, Anrique: n'esses céus existe
Um homem, Pae da Terra e mais do Mar,
Que fez o Mundo (por signal tão triste)
E os olhos, não p'ra o vêr, mas p'ra chorar.

Vá! offerece-lhe a tua mocidade.
Vá! vae soffrer por elle e trabalhar.
Ah bem sei que custa tanto, n'essa idade...
Mas que has-de tu fazer? Chorar? Chorar?
[125]

Não tens na vida uma alma amiga
(Tu bem no sabes) para te amparar.
Só eu, embora curvo de fadiga,
Tenho paciencia p'ra te ouvir chorar!

Todos os mais, malvados e egoistas,
(Que tudo a Deus, um dia, hão de pagar)
Não te poriam nem sequer a vista,
Fugiriam, ao verem-te chorar!

A adversidade é uma maravilha
Que certas almas sabem respeitar,
Mas aos olhos dos mais a dôr humilha...
Ah quanto é grande vêr um rei chorar!

Ah pensa, pensa bem na tua sorte,
Cautela, Anrique, nada de brincar.
Ha outros males piores do que a morte,
Cautela, Anrique, vamos trabalhar.

Vae trabalhar por Deus.—«Mas como e aonde?
Não vos disse que morto é Portugal?
P'r'o trabalho quem antes era conde!»—
—Ai meu Anrique, não te fica mal!



Não me dizes que lá por Portugal
Andam as almas todas quebrantadas?
Vae, meu filho, vae para Portugal
Vae levantar as flores, já tão quebradas.

Anda, meu filho: vae dizer baixinho
A esse povo do Mar, que é teu irmão,
Que não fraqueje nunca no caminho,
Que espere em pé o seu D. Sebastião.

Anrique, vae gritar por essa rua
—Virá um dia o «Sempre-Desejado»!
Deu a vida por vós, Tu, dá-lhe a tua,
Esquece n'elle todo o teu passado.