dimarts, 27 de gener de 2015

OS SACERDOTES DO DEUS CON FOR MISMO OU ZINK GOD CONSTRUIRAM TEMPLOS CIRCULARES POR RAZÕES DE ORDEM FILOSÓFICA E MÍSTICA E PORQUE ESBARRAVAM COM AS CORNADURAS NAS ESQUINAS E VIVIAM DE COSTAS VOLTADAS PARA O CENTRO POIS NÃO É POSSÍVEL CONFRONTAR O CENTRÃO UNIVERSAL QUE VIVE DENTRO DE VÓS É O EGO QUE DEFORMA A GEOMETRIA DA IRREALIDADE E A TORNA REAL O CENTRÃO É O ABISMO ....E ELE NÃO SABIA QUE HAVIA UMA GUERRA ENTRE OS REAIS IRREALISTAS E OS IRREAIS REALISTAS ,,,,IMPOSTOS ALTOS FALTA DE CASAS ANOS DE CHUMBO E MESES DE ZINCO TODA A GENTE ARREGIMENTADA O IRMÃO DE ALGUÉM OU O FILHO DE QUALQUER OUTRO A USAR NA GRANDE BATALHA CONTRA OU A FAVOR DO ESTADO ISLÂMICO ...IRREAL NA VERDADE A REALIDADE DEIXAVA MUITO A DESEJAR...SENTIA-SE O INVERNO A DEVORAR OS OSSOS DA REALIDADE ...A REALIDADE ERA UMA GAROTA BOAZINHA PARA O PHODER MAS DEIXAVA MUITO A DESEJAR NOUTROS ASPECTOS ...NÃO TINHA NEM AS MAMAS DA IRINA NEM O TRASEIRO DO RONALDO DAÍ QUE OS SACERDOTES DO DEUS ZINK NÃO A GRAMASSEM

E O ZINK GOD ERA UM BOM DEUS E UM MELHOR ADEUS MAS TINHA UMAS BÍBLIAS MARADONAS CHEIAS DE LINHAS E NEM UMA ERA DE COCA...ESCREVIA DEMAIS DAÍ QUE LEVASSE UM CORTE DOS FIÉIS QUE COM O LÁPIS VERMELHO DA POPULAR DITA DURA OU ENTESOADA CORTAVAM SUBSTANTIVOS E ADJECTIVOS DA BÍBLIA GAY CORTAVAM LINHAS E FRASES DENTRO E FORA DA REALIDADE E ASSIS OU ASSAD MARCARAM PARÁGRAFOS PARA A EXECUÇÃO E TRACEJARAM PALAVRAS SOLTAS E A BÍBLIA GAY FICOU ASSIS ... SOCIEDADE ATIVA GAJOS Aborrecem-me Gajos que, nestes anus de chumbo, fazem dotes do mismo. Salvo erro, o cu : o cu, é a realidade que se engana." Era boa pi - infelizmente vieram estes arautos da Austeridade e deram mau nome à coisa, tirando-lhe a pi e o hu more rentes. Os Gajos Ré têm sempre razão, é uma alegria. São severos, como severa é "a realidade que se preza". E não têm i deo logia, nisso são parecidos com Cava cu se meteu em Qual, com efeito? Se eles apenas olham a "tal qual ela é"... E ai da se não se conforma ao que eles dizem.Zangam-se, esperneiam, fazem..... britam-lhe, alto e bom som, como aprendido de caninos, que é ela que esgana (E está feita ao bife se se porta bem. Quem avisa...não leva camisa de vénus ...PALAVRA DO SENHOR ...AJOELHEMOS IRMÕES E NÃO LHES BATAM COM OS CULHÕES.....

diumenge, 25 de gener de 2015

NÃO SE CRIAM REVOLUÇÕES CRIA-SE A NECESSIDADE DE REVOLUÇÃO E ESTE É UM TEMPO ÓPTIMO PARA CRIAR TAIS NECESSIDADES ....JÁ A REVOLUÇÃO É DESTRUTIVA POR NATUREZA .....A DEMOCRACIA IMPOSTA PELOS COLONOS GREGOS É DAS PIORES FORMAS DE TIRANIA .....O IRAK IRAK QUE O DIGA....VELHOS BENGALEIROS ESPERAVAM ANSIOSAMENTE SOLITARIAMENTE OS CHAPÉUS ALTOS E OS CHAPÉUS DE COCO DOS TURISTAS QUE DEMANDAVAM A GREGA ATHENAS E FOI APODRECENDO COM O TEMPO DOMINANDO A SALA VAZIA ONDE SE LEVANTAVA SOLITÁRIO ... O VENTO GREGO BALANÇAVA AS COPAS DOS PINHEIROS EUROPEUS QUE IAM CONVERSANDO ENTRE SI COM MEDO DOS RAIOS QUE CAIAM ........UM RELÓGIO GREGO LEVANTAVA-SE NA ESQUINA DA AUSTERIDADE OU UM RELÓGIO LEVANTOU-SE NUMA ESQUINA AUSTERITÁRIA E O RELÓGIO PROCLAMOU QUE ERA A HORA....A HORA DO QUÊ ? DA VICTÓRIA ...MAS O RELÓGIO DO VITÓRIA MARCAVA 3 MINUTOS PARA AS 23 A HORA AINDA NÃO TINHA CHEGADO . O CRÂNIO DO GRANDE LÍDER ERA ESTÉRIL NUNCA ALI TINHA NASCIDO UMA I-DEI-A MAS FELIZMENTE TINHA UM LIVRINHO DE CHAVÕES E DE MÁXIMAS PARA TODAS AS OCASIÕES HÁ INDIVÍDUOS COM SORTE CAI UM RAIO NA FLORESTA AMAZÓNICA E OS GAJOS ACERTAM NA ÁRVORE EM QUE CAI...E CALHA O GAJO QUE ESTÁ ENCOSTADO À ÁRVORE SER GREGO ...UMA VINTENA DE CHAVES ENFERRUJADAS SERVIAM NO COFRE CHEIO DE EUROS MAS QUANDO O TENTARAM ABRIR JÁ OS EUROS NÃO VALIAM NADA NEM AS CHAVES O CONSEGUIAM ABRIR ACHO QUE SE CHAMA A ISTO UMA PARÁBOLA EUCLIDIANA GREGA

E O DIA NASCEU EM ATHENAS 

O SOCRATES GREGO GRITOU 

LIBERDADE

PROGRESSO


EMPREGO

E O BUZINAR DOS CARROS CONTINUOU

ATÉ A GASOLINA COMEÇAR A FALTAR

O RISO DE UMA RAGAZZA GREGA 

SUBIA AS RUAS APAGADAS DE ATHENAS

A SÁBIA A PODEROSA 

AS COSTUMADAS RIDÍCULAS E 

INEVITÁVEIS E IMPRESTÁVEIS FRASES

QUE NUNCA DEITAMOS FORA 

LI BERDADE QUE LI QUE A LIBERDADE

PASSOU POR ALI MAS NÃO VI....

divendres, 16 de gener de 2015

QUANDO A SUPREMA DOR NO POSTERIOR APERTA... AI QUE BOM QUE É O FENDER ALGUÉM ...NA HORA INCERTA NA INCLEMENTE DESCOBERTA ...AFINFAR SEM OLHAR A QUEM ...NÃO O FAZENDO POR MAL QUE DESCONCERTA...ANTES FAZENDO-O BEM NA HORA CERTA ....E COM ESSA OFENSA DE MÁ FÉ .....OFENDES EFFENDI A MAOMÉ ....NÃO MATANDO NINGUÉM EM PARIS OU BELÉM .....MAS MATANDO AS VIRGENS QUE O PRESENTE ....LEGA A QUEM NO FUTURO VALENTEMENTE ....HONRA O PROFETA MATANDO ALGUÉM POR NINGUÉM ...POR IMAGENS VIRTUAIS QUE TEM NA MENTE ,,,ASSIS OU ASSAD DE ERRO GRAVE TE DESPERTO.....DIZER QUE O FENDER EM NADA É CERTO ....DITOSA A DOR QUE NÃO CONHEÇO ....O FENDER D'ALGUÉM EM TI RECONHEÇO .....É ALGO DE NOBRE DE QUE NÃO PADEÇO ....E SE O FENDER EM TI É TÃO PREMENTE ....FENDERÁS TODO O MUNDO CERTAMENTE ....TODO O CU QUE ALGUÉM APERTA ....OUTRO ALGUÉM O FENDE NA DESCOBERTA ....É ALGO QUE A MI DESCONCERTA ...MAS MAIS TRISTE SE QUEM O FENDE MAGOADO.....QUE PELA FÉ SODOMITA VER NEGADO....O QUE MAOMÉ NA FALSA FÉ JURA SER PECADO....

DITOSO SOIS VÓS CERTAMENTE

Em VERDADE VOS DIGO SANDEU AMIGO 

DITOSO É AQUELE QUE SOMENTE

PELO RABO OU PELO UMBIGO


PÕE BELOS POEMAS COMO QUEM OVOS

DISPÕE EM PÁGINA QUE DÁ AOS POVOS

Quem não o ler é maricas, 

OU ANALFABETO E MEDRICAS

SE FOR AVARO É judeu, 


SE ANDAR NA JIHAD O MANO 

É QUIÇÁ muçulmano, 

OU COMUNA COUSA QUE JÁ DEU


MAIS VALE COMUNA QUE SER ATEU


NHONHÓ EM MARX ACREDITO

QUAL CABRITO QUE OBVIAMENTE 

ADMITO É BICHO CORNUDO MALDITO


FILATELISTA DEMENTE 


QUE SELANDO A VIDA E A MENTE


MENOS FAZ QUE O RAPAZ QUE SE VEM


COM GALINHAS E OUTRAS ORNITOLOGIAS


POIS HÁ MANIAS COM AVES TAMBÉM 


QUE NÃO SENDO RARAS SÃO VAZIAS  

ornitólogo,semiólogo cerebroso,MUY MANHOSO

 idéfix NO ES FIXE  catotó DA NEGRA FULÓ?

, jeovoso QUE CUM DEUS ATINGE SUPREMO GOZO?


colunista da Visão DE ANTEMÃO MERMÃO NÃO

  couve-flor, coleccionador de roupa interior

 unissexo, OU HERMAFRODITA NA DESDITA

  angorá, VELHO XÉXÉ

amante de focas-bebé,

OU DE TARTARUGAS SENIS 

OU DE JOVENS PRÉ-VIRIS 

vegan,OU VEGANO QUE EM VEGA ESFREGA A VIGA 

culturista, leitor do JL, OU VIRGINAL RAPARIGA 

QUE DÁ NO CÉU O QUE NA TERRA NÃO DEU

A BOMBISTA OU aluno da Católica, MAS RENEGA O JUDEU


E O sócio do Bucelas F.C.JÁ SE VÊ ,SEM MAIS AQUELAS  

assinante da Zon , accionista do Novo Banco,  pedófilo metafísico NUM TRANCO

pneu sobresselente, QUE SEJA VIDENTE PREVIDENTE 

página ímpar de um mau romance, QUE A VISTA EM TI DESCANSE 

 caneta permanente sem tinta,  NA HORA INCERTA

choco sem tinta, ISTO JÁ É PARAFILIA ARRANJA UM TINTEIRO 

E ACABA COM O BESTIALISMO

dimarts, 6 de gener de 2015

Running the World without a Mandate The walls rising around us are beginning to look impregnable. But before we can decide how they might best be demolished, we must first recognise that the enclosure of the human genome is just a single cell in the privatised global prison the new regime has built.

He has also routed a dastardly attempt to compel us to accept a new regime, reinforcing our human rights. Were it not for his intervention, we would have been legally obliged by Europe to drink clean water, treat our employees fairly and uphold the ban on cloning human beings. But the Eurocrats, and their “charter of fundamental rights” appear to have been vanquished, and our cherished tradition of helping the rich to trample the poor preserved.

A SOMBRA É O PRODUTO DA EXISTÊNCIA LOGO A NÃO EXISTÊNCIA OU INEXISTÊNCIA É O QUOCIENTE DA SOMBRA.....A GRANDE QUESTÃO É QUE PODEROSA ORGANIZAÇÃO DE MATÉRIA LANÇA SOMBRAS SOBRE AS VIDAS QUE SE ESQUECERAM DE PERSISTIR? IN INCONTINENTI CREDE....

GOSTAMOS DO FUTURO PORQUE ABOMINAMOS O PRESENTE E REJEITAMOS O PASSADO....
O QUE É CURIOSO POIS O FUTURO TRAZ SEMPRE (PROBABILISTICAMENTE) O FIM

ÉPOCA SINGULAR COMO TODAS AS ÉPOCAS EM QUE SOCRATES OU É OSTRACIZADO OU TOMA CICUTA OU CONTINUA INDO AO VIEGAS DOS SEUS PLATÓNICOS AMIGOS D'ATHENAS OU VAI FAZER UM RETIRO NUMA COLÓNIA PRISIONAL GREGA ...CADA SOCRATES LANÇA UMA SOMBRA DE PROBABILIDADE SOBRE O MUNDO

divendres, 2 de gener de 2015

La citadelle aveugle devient camp retranché. Mania mundi, les remparts du monde, sont une des expressions-clés de la rhétorique de Lucrèce. Certes, la grande affaire dans ce camp est, de faire taire l'espérance. Mais le renoncement méthodique d'Épicure se transforme en une ascèse frémissante qui se couronne parfois de malédictions. La piété, pour Lucrèce, est sans doute de « pouvoir tout regarder d'un esprit que rien ne trouble ».povo irmão zulu? zulu dawn com velhadas? caterpila? non será ...cá ter pila Épicure juge que, puisqu'il faut mourir, le silence de l'homme prépare mieux à ce destin que les paroles divines. Le long effort de ce curieux esprit s'épuise à élever des murailles autour de l'homme, à remanteler la citadelle et à étouffer sans merci l'irrépressible cri de l'espoir humain. Alors, ce repli straté- gique étant accompli, alors seulement, Épicure, comme un dieu au milieu des hommes, chantera victoire dans un chant qui marque bien le caractère défensif de sa révolte. « J'ai déjoué tes embûches, ô destin, j'ai fermé toutes les voies par lesquelles tu pouvais m'atteindre. Nous ne nous laisserons vaincre ni par toi, ni par aucune force mauvaise. Et quand l'heure de l'inévitable départ aura sonné, notre mépris pour ceux qui s'agrippent vainement à l'existence éclatera dans ce beau chant : Ah ! que dignement nous avons vécu diz o roto ao nu....

 On y parle du « premier crime de la religion »,
Iphigénie et son innocence égorgée ; de ce trait divin qui « souvent
passe à côté des coupables et va, par un châtiment immérité, priver de
la vie des innocents ». Si Lucrèce raille la peur des châtiments de l'autre
monde, ce n'est point, comme Épicure, dans le mouvement d'une
révolte défensive, mais par un raisonnement agressif : pourquoi le mal
serait-il châtié, puisque nous voyons assez, dès maintenant, que le
bien n'est pas récompensé ?
Épicure lui-même, dans l'épopée de Lucrèce, deviendra le rebelle
magnifique qu'il n'était pas. « Alors qu'aux yeux de tous, l'humanité
traînait sur terre une vie abjecte, écrasée sous le poids d'une religion
dont le visage se montrait du haut des régions célestes, menaçant les
mortels de son aspect horrible, le premier, un Grec, un homme, osa
lever ses yeux mortels contre elle, et contre elle se dresser... Et par là,
la religion est à son tour renversée et foulée aux pieds, et nous, la victoire
nous élève jusqu'aux cieux. » On sent ici la différence qu'il peut
y avoir entre ce blasphème nouveau et la malédiction antique. Les hé-
ros grecs pouvaient désirer devenir des dieux, mais en même temps
que les dieux déjà existants. Il s'agissait alors d'une promotion.
L'homme de Lucrèce, au contraire, procède à une révolution. En niant
les dieux indignes et criminels, il prend lui-même leur place. Il sort du
camp retranché et commence les premières attaques contre la divinité au nom de la douleur humaine. Dans l'univers antique, le meurtre est
l'inexplicable et [50] l'inexpiable. Chez Lucrèce, déjà, le meurtre de
l'homme n'est qu'une réponse au meurtre divin. Et ce n'est pas un hasard
si le poème de Lucrèce se termine sur une prodigieuse image de
sanctuaires divins gonflés des cadavres accusateurs de la peste.
Ce langage nouveau ne peut se comprendre sans la notion d'un
dieu personnel qui commence à se former lentement dans la sensibilité
des contemporains d'Épicure, et de Lucrèce. C'est au dieu personnel
que la révolte peut demander personnellement des comptes. Dès qu'il
règne, elle se dresse, dans sa résolution la plus farouche et prononce le
non définitif. Avec Caïn, la première révolte coïncide avec le premier
crime. L'histoire de la révolte, telle que nous la vivons aujourd'hui, est bien plus celle des enfants de Caïn que des disciples de Prométhée. En
ce sens, c'est le Dieu de l'Ancien Testament, surtout, qui mobilisera
l'énergie révoltée. Inversement, il faut se soumettre au Dieu d'Abraham,
d’Isaac et de Jacob quand on a parcouru, comme Pascal, la carrière
de l'intelligence révoltée. L’âme qui doute le plus aspire au plus
grand jansénisme.
De ce point de vue, le Nouveau Testament peut être considéré
comme une tentative de répondre, par avance, à tous les Caïn du monde,
en adoucissant la figure de Dieu, et en suscitant un intercesseur
entre lui et l'homme. Le Christ est venu résoudre deux problèmes
principaux, le mal et la mort, qui sont précisément les problèmes des
révoltés. Sa solution a consisté d'abord à les prendre en charge. Le
dieu homme souffre aussi, avec patience. Le mal ni la mort ne lui sont
plus absolument imputables, puisqu'il est déchiré et meurt. La nuit du
Golgotha n'a autant d'importance dans l'histoire des hommes que parce
que dans ces ténèbres la divinité, abandonnant ostensiblement ses
privilèges traditionnels, [51] a vécu jusqu'au bout, désespoir inclus,
l'angoisse de la mort. On s'explique ainsi le Lama sabactani et le doute
affreux du Christ à l'agonie. L'agonie serait légère si elle était soutenue
par l'espoir éternel. Pour que le dieu soit un homme, il faut qu'il
désespère. Le gnosticisme, qui est le fruit d'une collaboration grécochrétienne,
a tenté pendant deux siècles, en réaction contre la pensée
judaïque, d'accentuer ce mouvement. On connaît la multiplicité d'intercesseurs
imaginés par Valentin, par exemple Mais les éons de cette
kermesse métaphysique jouent le même rôle que les vérités intermé-
diaires dans l'hellénisme. Ils visent à diminuer l'absurdité d'un tête-à-
tête entre l'homme misérable et le dieu implacable. C'est le rôle, en
particulier, du deuxième dieu cruel et belliqueux de Marcion. Ce dé-
miurge a créé le monde fini et la mort. Nous devons le haïr en même
temps que nous devons nier sa création, par l'ascèse, jusqu'à la détruire
grâce à l'abstinence sexuelle. Il s'agit donc d'une ascèse orgueilleuse
et révoltée. Simplement, Marcion dérive la révolte vers un dieu infé-
rieur pour mieux exalter le dieu supérieur. La gnose par ses origines
grecques reste conciliatrice et tend à détruire l'héritage judaïque dans le christianisme. Elle a aussi voulu éviter, à l'avance, l'augustinisme,
dans la mesure où celui-ci fournit des arguments à toute révolte. Pour
Basilide, par exemple, les martyrs ont péché, et le Christ lui-même,
puisqu'ils souffrent. Idée singulière, mais qui vise à enlever son injustice
à la souffrance. À la grâce toute puissante et arbitraire, les gnostiques
ont voulu seulement substituer la notion grecque d'initiation qui
laisse à l'homme toutes ses chances. La foule des sectes, chez les
gnostiques de la deuxième génération, traduit cet effort multiple et
acharné de la pensée grecque pour rendre plus accessible le monde
chrétien, et ôter ses raisons à une révolte que l'hellénisme [52] considérait
comme le pire des maux. Mais l'Église a condamné cet effort et,
le condamnant, elle a multiplié les révoltés.
Dans la mesure où la race de Caïn a triomphé de plus en plus, au
long des siècles, il est possible de dire ainsi que le dieu de l'Ancien
Testament a connu une fortune inespérée. Les blasphémateurs, paradoxalement,
font revivre le dieu jaloux que le christianisme voulait
chasser de la scène de l'histoire. L'une de leurs audaces profondes a
été justement d'annexer le Christ lui-même à leur camp, en arrêtant
son histoire au sommet de la croix et au cri amer qui précéda son agonie.
Ainsi se trouvait maintenue la figure implacable d'un dieu de haine,
mieux accordé à la création telle que les révoltés la concevaient.
Jusqu'à Dostoïevski et Nietzsche, la révolte ne s'adresse qu'à une divinité
cruelle et capricieuse, celle qui préfère, sans motif convaincant  le
sacrifice d'Abel à celui de Caïn et qui, par là, provoque le premier
meurtre. Dostoïevski, en imagination, et Nietzsche, en fait, étendront
démesurément le champ de la pensée révoltée et demanderont des
comptes au dieu d'amour lui-même. Nietzsche tiendra Dieu pour mort
dans l'âme de ses contemporains. Il s'attaquera alors, comme Stirner
son prédécesseur, à l'illusion de Dieu qui s'attarde, sous les apparences
de la morale, dans l'esprit de son siècle. Mais, jusqu'à eux, la pensée
libertine, par exemple, s'est bornée à nier l'histoire du Christ (« ce plat
roman », selon Sade) et à maintenir, dans ses négations mêmes, la tradition
du dieu terrible

divendres, 5 de desembre de 2014

me encendió la mente para cantar el Príncipe Thebano, que armado el pecho de valor ardiente, armo de clava la robusta mano: Aquel justo, aquel fuerte, aquel prudente debelador de monstros Soberano; que la gran pátria liíertó oprimidaj y con Hebe merece immortal vida.José Gregório da Rosa Araújo, que teve a aícunha de Câcâ. Por entre os kodaks das pessoas em evidência nesse dia e nessa época, deslizam, como exigua acção, as peripécias, as aventuras da viagem do autor, arvo- rado em protagonista. Finalmente, êle regressa à sua imaginária terra natal, Alijó dos Vinhos, despedindo-se do leitor: Esta noite lá volto pr'a botica, Mas um grande poema ahi lhes fica.

Do Pequito o nariz que põe ao canto, 
Lá do Egypto a pyramide famosa ; 
E a muitos inda dá no goto hoje 
Ramalho  ir côr de burro quando foge. 

Ironiza o facto do ministério progressista 
não se ter encorporado no cortejo: 

Ministros nem por sombras, o governo, 
Que rege e manda em cousas do paiz. 
Foi de Camões amigo para o inverno, 
Descer dos altos sólios jamais quiz. 
Nem Barros 3 da fazenda de olhar terno, 
Nem outro que Luciano 4 aqui se diz, 
Que em cousas d'esta ordem não são finos 
E mais do que estadistas são Calinos. 

Contrapõe àquele estranho facto o procedimento 
do estimado e popular presidente da câmara munici- 
pal, José Gregório da Rosa Araújo: 

Mas quem levou a palma foi o illustre 
Gregório que também se diz José 5; 
Se a Musa da epopeia me der lustre 
Em verso hei^de mostrar o que elle é. 
Mas porque a minha penna não deslustre 
Outros que nada valem d'elle ao pé, 
Apenas eu direi que a presidência 
Viu tudo desfilar em continência. 



1 Rodrigo Afonso Pequito. 

2 Ramalho Ortigão, que trajava um fato cinzento, de passeio. 

3 Henrique de Barros Gomes.

como em tantas outras composições atribuídas a 
Bocage — eu não creio que este poema seja 
dele, ainda admitindo que para o povo o 
compusesse. 

A última quadra da 1.^ parte é salientemente 
corriqueira e nem por gracejo se pode imputar a 
Elmano: 

Por ora venhão os cobres, 
Senhor povo, que eu com arte, 
O que lá fez o Broega 
Direi na segunda Parte. 

Encontrei uma referência de Sousa Bandeira — o 
chistoso jornalista conhecido por Braz Tisana — a outra obra de J. J. Bordalo, 
«colecção de cartas alfabéticas e vocabulosas (sic) para guia completa dos meninos e meninas». 

Nessa referência informa Bandeira que os redac- 
tores da Semana depenaram sofrivelmente o autor das 
cartas alfabéticas e vocabulosas e depois 
acrescenta: 

«O mestre Bordalo, desconfiando que a sublimi- 
dade de alguma palavra nào fosse percebida pelos 
seus amáveis leitores, apresenta a versão delas 
e diz — 




Têz — quer dizer superfície corpórea! Cerviz — 
escravidão! Calo — o que molesta os pés!
 Kilo, medida e 
peso. 
Vella — a de cebo, cera, e também a de navio. 
— Digerir — quer dizer, consumir no ventre!! 
Já se vê 
que o homem merece os dous patacos!»  

ESTOLEIDA (A). 

Sei que deste poema herói-cómico, o qual ainda 
nào pude vêr, foi autor o português-brasileiro
 padre 
João Pereira da Silva, depois cónego e mais tarde 
nomeado monsenhor da capela real no 
Rio de Janeiro, 
cargo de que não chegou a tomar posse. 

Também sei por informação de um ilustre escritor 
fluminense, meu bom amigo, que o cónego 
Januário 
da Cunha Barbosa transcreveu no seu Parnaso algu- 
mas oitavas do canto 2.°, as quais compreendem a 
descrição do Pão de Assucar e do sítio de Botafogo. 

Nada mais posso acrescentar. 



FARFUNCIA (A) poema heroe-comico offerecido aos 
senhores do Douro por B. J. S. P. C. Porto, 1823, 60 
pags. em 8°, 

autor foi o dr. Bernardino Joaquim da Silva 
Carneiro, lente da faculdade de Direito na Universi- 

1 Escriptos humorísticos, tomo II, pág. 208. 



50 POEMAS HEROI-COMICOS 

dade de Coimbra, muito conhecido pelos seus com- 
pêndios escolares, hoje postos de parte. 

Quando compôs este poema herói-cómico, Bernar- 
dino Carneiro tinha apenas dezassete anos de idade. 

Farfúncia, vocábulo que se autoriza com a lição 
de Filinto Elísio, é sinónimo de farfalhice ou farfân- 
cia. O autor personifica nesta palavra o gosto, a ma- 
nia das famílias durienses pelos chás, dançaS; jogos 
de prendas e de roda, modinhas, batota, etc. 

Farfúncia (assim se chama); mas té gora 
Nenhum Ápelles soube desenhalla ; 
Ou lhe dêm corpo, e talhe de senhora, 
Ou queirão c'os insectos comparalla : 
Em nenhum domicilio se demora; 
Como immensa no Douro se assignala; 
Pois que he todo o seu spirito subido 
O frenesim das sucias 1 conhecido. 

Ella a deosa se diz, a divindade, 
(Das Magas continua a mesma historia;) 
Que invisível preside a sociedade 
Nos dias de prazer, noites de gloria; 
Ella, quem Frazões faz em toda idade; 
No pimponismo induz gente da escoria. 
Ella, as modas inventa, ella farfante. 
Namoros origina a todo o instante. 

Como se vê, o poema (dividido em 4 cantos) é 
composto em oitava-rima; e de medíocre valor literá- 

1 Significando assembleias, partidas de jogo ou dança, em 
casas particulares. Ainda na minha infância assim se dizia no 
Porto. 



PORTUGUESES 51 

rio, uma rapaziada apenas, alegre e incorrecta— até na 
revisão tipográfica. 

Contudo nào se lhe pode negar fidelidade na pin- 
tura dos costumes- sociáveis daquela província, espe- 
cialmente no Alto Douro; e nào digo daquela época, 
porque esses costumes teem ali mudado pouco ou 
nada. • 

Sob este ponto de vista, ainda hoje A Farfuncia é 
verdadeira. 

Quanto ao seu autor, contarei que, sendo já velho, 
os alunos lhe chamavam «Doutor Balandrino» e ju- 
diavam com êle. 

Um ano, no primeiro dia de aula, dia apenas de 
«cavaco», segundo a expressão escolar, um aluno, que 
lhe imitava perfeitamente a voz fanhosa e rouca, lem- 
brou-se de fazer eco a tudo quanto o professor dis- 
sesse. / 

Sentou-se na cátedra o doutor Balandrino e disse: 

— Meus senhores: 
Logo o eco repetiu: 

— «Meus senhores». 

E entào, todo o curso, mordendo o beiço ou guin- 
chando rizinhos, assistiu a esta vivacíssima scena có- 
mica: 

Lente — Vamos começar os nossos trabalhos. 

Eco — Vamos começar os nossos trabalhos. 

Lente — Aqui há-i-eco?! 

Eco — Aqui há-i-eco?! 

Lente — Há-i-há! 



52 POEMAS HEROI-COMIpOS 

Eco — Há-i-há! 

Doutor Balandrino tocou a campainha, veio o be- 
del e êle disse-lhe: 
— Ó seu Galiào. 
Eco — Ó seu Galiào. 
Lente — Vá pedir outra aula. 
Eco — Vá pedir outra aula. 
Lente — Que esta tem eco. 
Eco — Que esta tem eco. 
Lente — Não está ouvindo? 
Eco — Não está ouvindo? 
Bedel — Parece ... 
Eco — Parece . . . 

Lente — Pois não ouve, com todos os diabos?! 
Eco — Pois não ouve, com todos os diabos?! 
Lente — Vá dizer ao reitor e eu vou-me embora. 
Eco — Vá dizer ao reitor e eu vou-me embora. 

Vide Douri-Vinhada, 

FESTA (A) de Baldo, poema mixto, em 8 cantos, 
por Álvaro Teixeira de Macedo, impresso em Lisboa, 
1847, na tipografia de António José da Rocha. Se- 
gunda edição, Lisboa, Tipografia das Horas Român- 
ticas, 1888. Esta edição é o volume \2P da Biblio- 
theca Universal antiga e moderna; traz uma notícia 
biográfica do autor e uma carta de Garrett. 

Álvaro Teixeira de Macedo é português-brasileiro, 
pois nasceu no Recife de Pernambuco, em 1807, 
quando o Brasil estava ainda no seu período colonial. 



PORTUGUESES 53 

Em 1834 o imperador D. Pedro II nomeou-o se- 
cretário (adido) da legação brasileira em Lisboa, onde 
o irmào mais novo de Macedo veio exercer as fun- 
ções de encarregado de negócios. Macedo casou em 
Lisboa com a filha de um' negociante, neta de inglês; 
e faleceu na Bélgica, em dezembro de 1849, quando 
ali representava o Brasil como encarregado de ne- 
gócios. 

O poema Festa de Baldo deve ter sido escrito em 
Lisboa, depois que Álvaro casou, porque nele faz elo- 
giosa referência à esposa: 

Feliz eu, que alcancei das mãos da sorte 
A mulher que meu Baldo procurava; 

Antes do ano de 1843, voltou a Lisboa para 
se tratar de um grave padecimento, em casa da famí- 
lia de sua mulher, padecimento que nào deixou jamais 
de o afligir, roubando-lhe o bom humor de que era 
dotado. 

Contudo a acçào do poema decorre em Pernam- 
buco, na entào vila de Goiana, por uma natural revi- 
vescência saudosa das recordações que o prendiam à 
província em que nascera. 

Garrett diz na carta ao autor que todas as perso- 
nagens do poema falam em português sincero, ornado 
sem exagerações e puro. É verdade. E isto dá mais 
um quilate lusitano à elaboração do poema, posto 
que o assunto seja brasileiro. 

A Festa de Baldo canta com delicadeza, e por ve- 



54 POEMAS HEROI-COMICOS 

zes com graça, as consequências incómodas que 
podem advir, para famílias pacatas, da tentação de tro- 
carem o remanso doméstico pela convivência mundana. 

De vez em quando assombream o bom humor de 
Teixeira Macedo algumas nuvens resultantes da injus- 
tiça com que foi preterido na sua carreira diplomá- 
tica, e perpassam quaisquer alusões políticas, aliás 
mansas e discretas. 

Todo o poema foi composto em verso branco, nào 
isento de algumas falhas na metrificação. 

Da 1.^ edição só vi até hoje um exemplar, na bi- 
blioteca do sr. capitão de artilharia Ferreira de Lima. 

Compreende 93 páginas, sendo uma de dedicató- 
ria e outra de breve prefação ao «Leitor benigno>. 

FILENAIDA, por A. B. de C — Coimbra, 1822. 

O catálogo da livraria Moreira Cabral (Porto) 2.^ 
parte, n.° 5052, designa-o como poema erótico. 

Não sei se será herói-cómico ou não. Ainda o nào 
encontrei. Os livreiros de Coimbra nào me puderam 
dar notícia dele. Nem a Biblioteca da Universidade 
o possui. 

FOGUETARIO (Ò) poema heróico ao muito sórdido, 
fétido e tórrido ^ Deos do fogo, o grande Vulcano, Se- 
nhor dos Ferreiros, Erector ^ das fumaças, Espalhador 



1 Tórrido, segundo Inocêncio; temido, segundo Mendes dos 
Remédios. 

2 Erector, seg. I; Director, seg. M. R. 



PORTUGUESES 55 

das faíscas, Imperador dos fogoens, espirros e escorvas ^ : 
pelo mesmo ^ herói do poema, o muito ^ reverendo có- 
nego Erostato Fogacho, Assoprador dos murroens da 
torre da pólvora *, Thesoureiro mor das buchas, Pro- 
curador ^ das escorias, Capataz e Director da presente 
torre do fogo dos Balbazes ^. Dado á luz ^ pelo Mor- 
domo-mór dos Cien-fuegos, censor das girandolas, quali- 
ficador dos montantes, e sacabuchas geral de todo o ar- 
tificio foguetal ^. Na Officina dos Cyclopes ®. 

Este poema, a que o autor chamou heróico por 
antífrase, é atribuído a Pedro de Azevedo Tojal, ba- 
charel em cánoneS; o qual, depois de ter enviuvado 
duas vezes, seguiu a vida eclesiástica, e faleceu 
em 1742 na quinta das Romeiras, em Santo António 
do Tojal, arrabalde de Lisboa. 

Do Foguetário existiam várias cópias manuscritas, 
algumas incompletas. Em 1884 o dr. Rodrigo Veloso 
planeou fazer imprimir em Barcelos este poema; mas 
a impressão não chegou a concluir-se. Em 1904 o edi- 
tor França Amado, de Coimbra, estampou uma cópia 
integral, que o sr. dr. Mendes dos Remédios encon- 

1 • Seg. M. R. fogoens, espinhos, escorvas e escórias. 

2 Falta esta palavra na cópia de M. R. 

3 Também falta esta palavra. 

4 Na cópia de M. R. — Consumidor da torre da pólvora, 

5 Na cópia de M. R. — Provedor. 

6 Na cópia de M. R. — Torre de fogo, sem as duas seguin- 
tes palavras. 

7 Composto pelo, na cópia de M. R. 

8 Na cópia de M. R. — de fogo. 

9 Segundo a cópia de I. 



56 POEMAS HEROI-COMICOS 

trou na Biblioteca da Universidade, reviu e precedeu 
de um erudito antelóquio. 

Consta o Foguetário de 6 cantos, em oitava-rima. 

O seu assunto é o fogo de artifício, obra de um 
cónego, pirotécnico-amador, que foi queimado por 
ocasião dos magnificentes festejos com que no ano de 
1729 quis D. João V solenizar em Lisboa os despo- 
sórios do príncipe do Brasil, D. José — depois rei 
deste nome — com a infanta espanhola D. Mariana 
Vitória; — festejos que também ficaram assinalados 
por um grande temporal. ^ 

• O poema é chistoso; mas a metrificação não isenta 
de defeitos, alguns dos quais talvez sejam da respon- 
sabilidade dos antigos copistas. 

No castelo de Lisboa armara o cónego pirotécnico 
uma torre que êle devia incendiar, e cuja altura teria 
dado rebate no olimpo, por se arrecearem os deuses 
de que fosse uma nova tentativa revolucionária dos 
Titans ^. 

O autor dessa gigantesca máquina foi denunciado 
a Júpiter por Juno e condenado a degredo no Etna, 
com trabalhos forçados nas forjas de Vulcano^ deus 
do fogo. 

(i Quem se prestou a conduzi-lo à Sicília, não por 
mar, mas por outro meio de transporte? 

Foi o famoso padre Bartolomeu Lourenço de Gus- 
mão, dito o Voador, também chamado o da Passarola, 



1 Este assunto também foi cantado por Tomás Pinto Bran- 
dão na silva Relação nova do fogo do CastellOf 1729, 



PORTUGUESES S7 

em razão das tentativas aerostáticas por ele realizadas 
na cidade de Lisboa, 74 anos antes dos irmàos Mont- 
golfier terem feito ascenções em França. 

É incontestavelmente uma trouvaille, que reforça o 
interesse da acção e a côr histórica do poema. 

O Voador não saiu bem tratado das mãos sa- 
tíricas de Pedro Tojal, como também não saiu das 
de Tomás Pinto Brandão, e outros humoristas da 
época. 

Pobre padre! êle foi um malhadeiro como todos 
os inventores, e o peor é que teve de expatriar-se para 
fugir às garras da Inquisição e de ir morrer misera- 
velmente num hospital de Toledo. 

Vénus toma a defesa do cónego -pirotécnico, e 
consegue que Júpiter Tonante, ouvido o conselho dos 
deuses, lhe perdoe finalmente. 

Então, já livre, o Foguetário é reconduzido à pá- 
tria no mesmo veículo aéreo. 

Emquanto os densos ares navegarão, 
'' Alternadamente forão conversando 

Nos infortúnios, que até ali passáfSo, 
Cada qual respondendo e perguntando, 
Té que com vento prospero chegarão 
A Vai de Cavallinhos, e deixando 
Ahi o Nauta ao Padre, em lom violento 
Deu hum estouro, e foi varando o vento. 

Restituído à pátria, o feliz cónego, herói da pi- 
rotecnia nacional, embasbaca as gentes alfacinhas fa- 
zendo queimar o seu fogo de vistas e reabilitando-se 



58 POEMAS HERÓI-CÓMICOS 

do fiasco originado pela chuva nas primeiras noites 
dos festejos reais. 

Em todo o poema, sào frequentes as liberdades 
de expressão, sobretudo as que se filiam nas frequen- 
tes comparações entre os estrondos do fogo de artifí- 
cio e outros. 

O Foguetário, escrito entre 1729 e 1742, é, por- 
tanto, anterior ao Hissope, que António Denis compôs 
em Elvas entre 1770 e 1772. 

António Maria do Couto designa o poema de To- 
jal pelo Título de Foguetaida. 

FRADALHADA (A) poema alvar devidido (sic) em 
trez cantos — Janeirada, Possidonio o Crú, a Borrada 
ou a Burrada, por ***. Lisboa, 1869. 

Esta sátira — pois assim deve classificar-se — tem 
por objecto os acontecimentos da política portuguesa 
em 1868: os tumultos do mês de janeiro no Porto e 
Lisboa; a queda do ministério da Fusão; a chamada 
do conde de Ávila ao poder, e logo depois a do mi- 
nistério presidido por Sá da Bandeira mas substan- 
cialmente caracterizado pelo bispo de Viseu (D. An- 
tónio Alves Martins), o qual tomou a chefatura do 
novo partido que saiu desses acontecimentos políticos 
com o nome de — reformista. 

A Fradalhada carece de valor literário e graça. 

Também da mesma época (1867-1869) conheço 
outra sátira política — Os heroes da época (Porto, 1869) 
igualmente insignificante. 



PORTUGUESES 59 



G 



GATICANEA, ou cruelissima guerra entre os cães, 
e os gatos, decidida em huma sanguinolenta batalha na 
grande Praça da Real Villa de Mafra. Escripta por 
João Jorge de Carvalho. Lisboa, 1781. 

Fizeram-se mais duas edições— 1817 e 1828. 

Este poema, em decassílabos pareados, tem 4 
cantos, e o seu assunto está claramente expresso no 

título. 

Não devemos atribuir ao autor a pretensão de 
querer imitar a Batrachomyomachia ou guerra dos ratos 
e das rans, que seria um bocejo de Homero (porque 
ele dormitava às vezes) se de Homero fosse. A Batra- 
chomyomachia, não podendo nós penetrar o sentido 
simbólico que porventura a valorize, é uma sensabo- 
ria inçada de nomes gregos, e mal avisado andaria 
quem se lembrasse de imitá-la. 

Nào, Joào Jorge de Carvalho nào teve esse des- 
propositado intento, antes se inspirou, como confessa 
na Prefação, que é também Argumento, num caso que 
um seu amigo lhe recomendou como bom assunto 
para uma epopeia jocosa. 

João Jorge desempenhou-se menos mal do encargo, 
sem esforço, e por vezes com graça: quanto a metri- 
ficação, salvou dignamente a honra do convento. 



60 POEMAS HEROI-COMICOS 

Ferida a grande batalha entre as hostes caninas e 
gatescaS; sào os cães que retornam vencedores. 

Uma das curiosas particularidades deste poema é, 
no canto 3.°^ a descrição do convento de Mafra: 

Elle tem quatro frentes , ou fachadas, 
Com janellas tão grandes, e rasgadas, 
E feitas com tal arte, que por bellas 
Hum poitico parece qualquer delias. 

Em duas ordens postas em redondo 
Tão bella perspectiva vão compondo, 
Que na primeira vista o pasmo ordena. 
Que nem as louve a voz, nem pinte a penna. 
Tal cumprimento tem qualquer dos lados 
Que os grandes Canzarões mais alentados, 
Vistos d'hu n'outro extremo mais, ou menos 
Cachorrinhos parecem mui pequenos. 

No frontispício a bella arquitectura 
Brilha com tão distincta formosura, 
Que julgo ser (e nisto bem me fundo) 
JVlaravilha maior de todo o Mundo. 

As ordens tosca Dórica, e Composta, 
A Jónica, a Corinthia bem disposta, 
Tudo se vê com gosto executado 
■ No grau mais singular, mais levantado. 

Columnas de grandeza portentosa 
No pórtico maior a vista goza 
Nas três portas soberbas, que na entrada 
Á perspectiva formão da fachada. 

Mil estatuas de mármores polidos, 

O chão todo em xadrez com embutidos. 



PORTUGUESES 61 

As torres, que nos lados vão subindo, 
Mil sinos pelos ares retinindo, 
Que sendo por mão destra ali tocados, 
Os minuetes formão bem trinados. 
Distinguem-se também nesta fachada. 
Por maravilha grande, e subhmada, 
Dois grandes torreões, que na grandeza 
Outros não tem a vasta redondeza. 
Hum zimbório soberbo, e sumptuoso, 
Que na Região Etherea do ventoso, 
E sublime hemisfério vai tocando 
As nuvens, que nos ares vão girando. 
De festões adornado, e bellas flores 
Formadas em diversas lindas cores, 
De pedras muito finas, e polidas. 
Na Região do vento suspendidas. 

O Senhor, que erigio este Edificio, 
Nos mesmos torreões do frontispício 
Mandou, que Paço Régio se fizesse, 
Que a seu grande poder correspondesse; 
No qual respira, sem contradição, 
A grandeza de hum Régio coração. 
Que a fama ha de cantar cõ gosto, e gloria, 
Emquanto neste mundo houver memoria. 

Quem era João Jorge de Carvalho? Nada se sabe 
a este respeito. Inocêncio baldou quantas diligências 
fez para averiguá-lo, e eu nào fui mais feliz. 

Vê-se que era homem regularmente instruído, por- 
que intercala no texto versos franceses e espanhóis. 
Também se vê que conhecia bem a Beira-Baixa, Coim- 
bra, Mafra, Ericeira e os arredores destas duas povoa- 
ções; mas nào é lícito concluir do poema que o autor 



62 POEMAS HERÓI-CÓMICOS 

fosse natural ou habitante de Mafra, antes me parece 
dever inferir-se de uma nota (a pág. 84 da 1.^ edição) 
que compusera a- Gaticanea longe dali, talvez em 
Lisboa. 

Por intermédio de um amigo meu, o amável pároco 
de Mafra rebuscou o registo dos óbitos daquela fre- 
guesia e apenas apurou que num dos lugares mais 
afastados da vila houve um João Jorge, que faleceu 
em 1769 e era viúvo de Antónia Rodrigues, o qual 
teve um sobrinho, cujo nome se não menciona. 

Seria arrojada hipótese supor que este sobrinho 
fosse homónimo do tio e autor do poema, tanto mais 
que a tradição oral em Mafra não conserva memória 
alguma do autor da Gaticanea. ^ 

GENEALOGIA PAPERIFERA, ou verdadeira arvore 
da geração do ill."^^ snr. D. Papel; Lisboa, 1811. 

O autor, João Pinheiro Freire da Cunha, foi pro- 
fessor de gramática latina e portuguesa em Lisboa, 
sua pátria, onde instituiu uma Academia Ortográfica 

GRAVES NADAS, poema heroi-comico, sequencia do 
Hyssope, por Teophilo Braga: na 2.^ edição das Folhas 
verdes. Porto, 1869. 

O ^sunto é tirado da 2.^ parte do «Argumento» 
do Hissope — isto é, relativo ao tempo em que o so- 
brinho do Deão, sucedendo-lhe neste cargo, continuou 
o pleito até que o Bispo, cheio de terror, se retratou. 

O poema, em verso solto, abrange 4 cantos; nêle 
figuram algumas das personagens do Hissope. 




Teófilo Braga elaborou-o antes de 1860, e cha- 
ma-lhe «velleidade de criança>. 

Aditou-o com várias notas extraídas do Ms. da 
Universidade a que nos referimos no Hissope, 
quando 
mencionamos a edição deste poema feita pelo dr. Rodrigo Veloso. 

GREGOREIDA ou Aventuras d'um filho d' Alijó dos 
Vinhos em Lisboa, durante as festas do centenário de 
Camões. Poema em oitava-rima composto 
e escrito por 
Gregório Antunes Falcào, substituto do escrivão do 
juiz ordinário d'aquella importante comarca e copiado 
do original manuscripto pelos siamezes do Occidente, 
Castor & Pollux. Lisboa, 1880. 

Este poema conta as supostas impressões do seu 
autor na visita que fez à capital por motivo do tri- 
centenário de Camões. Contém 57 oitavas, em boa 
metrificação, e com benigna maledicência. 

Refere-se ao cortejo cívico e a algumas individua- 
lidades do mundo político e literário. 

Numa só oitava inclui a comissão executiva das 
festas camoneanas em Lisboa: 

A toda a gente causa grande espanto 
Do Eduardinho 1 a calva monstruosa, 
Do Luciano 2 o queixo a vêr-se tanto, 
Do Chagas 3 as bochechas côr de rosa; 


O assunto da paródia, como o título indica, sào 
os acontecimentos, principalmente políticos, daquele 
século em Portugal. 

Os asnos Figurões assignalados, 

Que da classe dos getas e bananas, 

Por motivos já bem justificados 

Passai am inda alem dos fofos Tanas ; 

Em certo dia muito apouquentados, 

Mais do que julgam almas sempre humanas, 

Entre Vianna e Vallada edificaram 

Novo Reino, que tanto sublimaram. 

E também as memorias gloriosas 

D'aquelles taes, que foram dilatando 

A má fé; e as alminhas generosas 

Andaram de Lisboa embarrilando: 

E esses que por obras cavillosas 

Se vão da pelintrice libertando; '>^ 

Cantando espalharei por toda a parte, 

Se a tanto me ajudar o engenho e arte. 

O sr. Almeida era muito conhecido na república 
das letras, como autor de dicionários, tais como: o 
das Sete línguas, o Illustrado, etc. 

Em 1884 deu este autor ao prelo a continuação 
da paródia, que ficou abrangendo dois tomos. 



Les Lusiades travesties, parodie 
en vers burlesques, 
grotesques et sérieux 
Voyage maritime et pedestre du 



grrrand portugais Vasco de Gama par 
J. R. M. Scarron 11. Porto, 1883. 

É um sumário humorístico dos Lusíadas. 

Na variante de género é que está o travestissement. 

O autor tinha o apelido de Mesnier, era já velho, 
e residia no Porto, na rua de Cima de Vila. 

Creio que era pai do sr. gastão Mesnier. 

Sua mulher achava-se ausente no Brasil. A ela de- 
dica o autor, saudosamente, êsíe trabalho literário. 

Na invocação dirige-se Mesnier a Camões, cujo 
auxílio implora: 

Et toi, Grand Camoens, exhausse mon désir, 
Prête moi ton secours, tu me feras plaisir, 
Aide moi dans ce jour, et lance dans ma veine, 
Le souffle Olympien, de ta divine haleine! 

O texto da paródia é composto em alexandrinos 
pareados, mas divididos quatro a quatro. 
Propõe o autor o assunto dizendo: 

Je chante le héros d'un tout petit pays, « 
Les trois petits bateaux, ou pressés, reunis, 
Sont cent quarante huit, serres comme sardines, 
Mais tous forís et nerveux, pourvus de bonnes mines. 
Pour tout bien, leur valeur, de vigoureux gaillards 
Volant à la fortune, aux perils, aux hazards, 
Quittérent, un beau jour, les riants bords du Tage, 
Pour affronter les mers, la tempête et Torage. 

II falait bien qu'ils soient comme un certain marin, 
Qu' Horace dit avoir le cocur doublé d'airain. 

Au moment de partir, vient un vieux rabaclieur 
Qui, je ne sais pourquoi, voudrait leur faire peur; 
II airive et se tient sur le bord du rivage, 
Puis d'une grosse voix, qui fait trembler le Tage, 

II leur dit doucement, etc. 

Por uma das poesias líricas, que vêem em seguida 
à paródia, sabe-se que o sr. Mesnier, ao cabo de 
quarenta anos de residência no Porto, foi juntar-se 
com sua mulher no Brasil. 

Despedindo-se enternecidamente daquela cidade, 
diz êl^: 

Dans tes murs glorieux, tous mes enfants sont nés, 
Dans ton champ de repôs, plusieurs sont inhumés!. 
Cest après quarante ans de tranquille existence, 
Qu'il me faut te laisser, presque sans esperance 
De te revoir, un jour. . .